Cap.7   EMOO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Aps estudar o presente captulo, voc dever ser capaz de:
 conceituar emoo;
 falar sobre a importncia das emoes para o nosso bem estar pessoal;
 citar os indicadores das emoes;
 demonstrar que as emoes so inatas e aprendidas;
 dar um exemplo que mostre as diferenas individuais nas emoes;
 analisar o papel da excitao emocional sobre o desempenho;
 fazer uma crtica ao detector de mentiras;
 apontar a importncia do crebro nas emoes.
Razo ou Corao?
O amor faz o mundo girar ... e o amor  uma emoo. Fala-se muito dele, mas sabe-se to 
pouco a respeito do mesmo. Contudo, talvez esteja a a resposta para os problemas do 
mundo de hoje.
Tradicionalmente as emoes foram vistas como algo indigno, imprprio e at mesmo 
desprezvel. No podiam ser objeto de estudo cientfico. O homem civilizado era aquele 
que controlava (eliminava) suas emoes.
Esta atitude encontra suas origens no dualismo platnico. E assim desde cedo fomos 
educados a disfarar e no expressar nossas emoes. Esta posio levou o homem a um 
estado de desequilbrio. Certamente, o comportamento humano deve ser guiado pela razo 
e pela emoo em conjunto. nfase demasiada ou exclusiva em qualquer um dos dois 
aspectos gera deformaes na personalidade.
O homem contemporneo perdeu muito de sua sensibilidade, particularmente em certas 
culturas e sociedades. Tornou-se frio e calculista, incapaz de comover-se, de sentir 
compaixo, de socorrer um amigo que est sendo assaltado.
A qualidade da vida humana perdeu muito com isso. As emoes so um colorido especial 
ao nosso mundo.
Apesar da objetividade, frieza e calculismo, muitos j se deram conta do valor das 
emoes, o que deu origem a terapias e centros de treinamento, que tm por objetivo levar 
o homem a reconhecer, aceitar e expressar suas emoes.
O homem ser mais feliz, mais realizado e psicologicamente mais sadio,  medida em que 
souber dosar convenientemente a razo e as emoes. No h porqu temer as emoes, 
nem a razo. A emoo  uma fora poderosa dos problemas humanos. Est na raiz de 
guerras, assassinatos, conflito social e todos os tipos de outros conflitos entre pessoas. De 
outro lado, a emoo  o sal da vida; as coisas seriam bem montonas sem a emoo. A 
alegria que temos em festas, nossa satisfao na realizao de objetivos, o divertimento que 
conseguimos em situaes engraadas fazem com que a vida merea ser vivida.(Morgan, 
1977, pg. 73-4).
O QUE  EMOO?
No  fcil conceituar emoo. No podemos observ-la diretamente. Inferimos sua 
existncia atravs do comportamento. Contudo, a maioria dos autores concorda em que as 
emoes so complexos estados de excitao de que participa o organismo todo. O termo 
emoo  usado tambm para significar os sentimentos e os estados afetivos em geral, mas 
alguns autores preferem atribuir significados diferentes aos termos emoo e sentimento. 
Os estados emocionais e sentimentais formam a afetividade, um dos aspectos do 
comportamento humano. Por sentimento entendemos o estado afetivo brando de prazer, 
desprazer ou indiferena. So disposies de prazer ou desprazer em relao a um objeto, 
pessoa ou idia que vem a formar os sentimentos. Distinguem-se das emoes por serem 
reaes mais calmas e com uma experincia mais complexa, com mais elementos 
intelectuais. (Dorin, 1972, p. 133).
A maioria dos estudiosos admite dois aspectos em toda emoo:
a experincia individual, interna e a expresso comportamental, externa. O estado de 
experincia ou sentimento individual, aspecto interno, somente  objeto de anlise atravs 
dos relatos verbais, estimativas e julgamentos daquele que experimenta a emoo. O 
aspecto expressivo ou comportamental, constitui a parte externa, e se manifesta atravs de 
uma srie complexa de respostas motoras, respostas do sistema nervoso autnomo e 
respostas glandulares.  muito difcil identificar determinada emoo,a partir da exclusiva 
observao dos sinais externos, tais como expresso facial, postura corporal e respostas 
fisiolgicas.
As emoes podem ser estudadas desde diferentes pontos de vista. Algum pode interessar-
se mais por aspectos de comunicao das emoes como so expressas, como so 
interpretadas. Outro pode concentrar seu interesse nos comportamentos desencadeados, a 
partir das emoes, por exemplo, pode-se estudar por que a raiva gera respostas to 
diferentes como a agresso, a apatia, a fuga e a fantasia.
MANIFESTAO DAS EMOES
H trs indicadores que so utilizados para identificar as emoes:
1  Relatos verbais. Como j vimos  um tanto difcil identificar a emoo pela simples 
observao das respostas externas. Assim, nada melhor do que solicitar que a pessoa fale ou 
escreva a respeito do que est sentindo. 2  Observao do comportamento. Embora uma 
mesma emoo possa ser acompanhada de respostas totalmente distintas e diferentes 
emoes possam ser expressas atravs de uma nica resposta corporal, costuma-se observar 
os gestos, a postura corporal, a expresso facial e outros movimentos para identificar as 
emoes. 3  Indicadores fisiolgicos. Vrias alteraes fisiolgicas e orgnicas ocorrem 
durante os estados de emoo. As principais so: a) a condutividade eltrica da pele que 
aumenta com o grau de excitao emocional do indivduo; b) as mudanas na presso, 
volume e composio do sangue e o ritmo cardaco; c) as alteraes na temperatura e 
exsudao cutneas; d) a mudana nas dimenses da pupila do olho; e) a secreo alterada 
das glndulas salivares; f) a tenso e o tremor musculares.
DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL
So as emoes inatas ou adquiridas?
O desenvolvimento emocional comea no nascimento e mesmo antes dele. Embora haja 
divergncias referentes a que respostas especficas esto presentes, j na ocasio do 
nascimento, todos aceitam que o recm-nascido apresenta reaes que denotam sentimentos 
de prazer e desprazer.
Watson, o fundador do behaviorismo, admitia trs tipos bsicos de reaes emocionais 
inatas: medo, raiva e amor. As demais desenvolver-se-iam a partir destas respostas bsicas. 
A posio de Watson tem sido, em parte, contestada. E impossvel negar a importncia da 
aprendizagem no desenvolvimento emocional, mas a forma regular e padronizada com que 
certas emoes surgem em crianas de culturas e pocas to diferentes indica a existncia 
de uma infra-estrutura orgnica responsvel, pelo aparecimento de reaes emocionais  
medida que se desenvolve e amadurece. O sistema nervoso, particularmente a sua diviso 
autnoma, e o sistema endcrino esto intimamente ligados s emoes.
Portanto, podemos concluir que o desenvolvimento emocional depende de aprendizagem, 
mas tambm do desenvolvimento e amadurecimento de clulas, tecidos, msculos e rgos, 
numa palavra, do organismo fsico.
Os que enfatizam o papel da aprendizagem no desenvolvimento emocional apontam trs 
processos de aquisio de respostas emocionais: a imitao, o condicionamento e a 
compreenso.
A imitao consiste na observao de um modelo e na posterior incorporao das respostas 
do mesmo. Ningum deixa de reconhecer o quanto s crianas imitam seus pais ao 
desenvolverem as vrias respostas emocionais.
O condicionamento, a ser estudado no captulo da aprendizagem,  um poderoso meio de 
aquisio de respostas emocionais. Este requer a associao de um estmulo neutro com 
outro j capaz de provocar uma reao emocional. Realizado o condicionamento, o 
estmulo que originalmente era neutro, torna-se capaz de desencadear a resposta emocional. 
Watson e Royner demonstraram o condicionamento emocional, produzindo um rudo 
sbito e estridente sempre que o menino Albert se aproximasse de seu animal de estimao, 
um rato branco. Aps alguns instantes, o menino passou a fugir do animal e, mais tarde, de 
outros animais e objetos que, dadas suas caractersticas, lembravam o rato branco.
As emoes podem ser adquiridas atravs da compreenso. As emoes podem ser geradas 
atravs da recepo e interpretao e informaes, isto , por processos racionais e lgicos. 
A razo nos faz compreender as conseqncias de determinado evento, e isto nos leva a 
sentir emoes.
Na vida cotidiana verifica-se que o ambiente familiar pode ensinar as crianas a serem 
afetuosas, amorosas ou frias, auto-suficientes e distantes. O ambiente familiar e social 
ensinam a criana a ter autoconfiana ou a ser tmida, retrada e desconfiada.
 velha pergunta, so as emoes inatas ou aprendidas?, no se pode dar uma resposta 
definitiva e radical. H muito de inato e h muito de aprendido. O chorar no  aprendido, 
mas o quando, quanto e como chorar so. Todo homem exibe comportamentos sexuais, mas 
ao materializar esse comportamento alguns se sentem atrados por parceiros do sexo 
oposto, outros por parceiros do mesmo sexo, outros por ambos e alguns por nenhum deles. 
E que o padro de nossas relaes interpessoais  aprendido e assim o papel sexual. Harlow 
constatou isso em seus experimentos com macacos. Observou que se os macacos fossem 
criados em total isolamento, no eram capazes de desenvolver as respostas sexuais 
adequadas. Apesar de poder-se observar a presena do instinto sexual nesses animais 
adultos, a agresso e a masturbao substituam as respostas heterossexuais.
EMOO E MOTIVAO
As palavras emoo e motivao provm de um mesmo verbo latino movere que 
significa mover-se. Ambas indicam um estado de despertar do organismo. Para alguns 
trata-se de dimenses ou graus diferentes do mesmo fenmeno. Convencionalmente, 
temos denominado emocionais os estados intensos e imediatos do despertar, e 
motivacionais os estados emocionais mais prolongados e dirigidos (Telford e Sarwrey, 
1973, p. 423).
A emoo pode servir de motivador do comportamento e a motivao pode levar a 
comportamentos que despertem novas emoes. O dio pode levar o homem a agredir. 
Aps ter agredido, o mesmo homem pode sentir medo e fugir.
TPICOS REFERENTES S EMOES
As pesquisas no campo das emoes tem produzido um bom nmero de concluses 
interessantes, sendo algumas as elencadas a seguir:
Diferenas Individuais e Culturais
H grandes diferenas individuais e culturais na expresso de emoes. A maneira de 
express-las e a quantidade e qualidade de emoes expressas dependem de aprendizagem, 
experincia anterior e normas culturais. Entre ns, por exemplo, os homens so 
incentivados a no chorar.
Cada sociedade desenvolve maneiras que considera adequadas para demonstrar 
determinada emoo. Mesmo o choro e o riso no tm um significado universal, isto , no 
significam sempre dor e alegria, respectivamente.
A palavra temperamento tem sido freqentemente usada para designar justamente as 
diferenas individuais na expresso das emoes. H os que, por temperamento, so mais 
sensveis e emotivos. Admite-se que haja uma predisposio emocional que perdura atravs 
dos anos e que pode ser ativada a qualquer momento.
A expresso emocional varia com a idade. Nota-se diferenas ntidas na exteriorizao das 
emoes  medida que o indivduo envelhece.  arriscado generalizar, mas a maioria se 
mostra mais controlado  medida que os anos passam. Parece tambm que  medida que a 
idade avana as pessoas tendem a expressar suas emoes mais atravs de verbalizaes do 
que de reaes fsicas. A idade traz tambm uma crescente complexificao e diferenciao 
de emoes.
Emoo e Ajustamento
As emoes ajudam as pessoas a ser mais felizes, mas tambm podem prejudicar a sade 
fsica e mental. Devemos suprimir, ou dar asas a nossas emoes? Maturidade consiste em 
controlar as emoes e ser racional? As emoes no se constituem em vlvula de escape 
essencial  manuteno da sade mental?
A civilizao e o progresso tendem a suprimir a exteriorizao das emoes. O 
controle e racionalidade so vistos como virtudes. Sem dvida, certo controle emocional  
necessrio e saudvel para crianas, jovens, adultos e velhos, mas no podemos cair no 
exagero de suprimir as emoes. No  saudvel negar a expresso emocional de impulsos 
genunos e naturais. Embora no se possa dar total liberdade para todo e qualquer impulso, 
 possvel haver controle emocional sem a necessidade de negarmos a nossa emocional 
idade. Quando a pessoa pode experimentar impulsos carregados de emoo sem ansiedade 
ou sentimento de culpa, quando ela pode atingir o apropriado equilbrio entre a expresso e 
o controle, ela ser ento emocionalmente sadia (Hilgard, Atkinson e Atkinson, 1971, p. 
352).
Com certeza nossa civilizao foi longe demais na supresso e re presso das emoes e os 
resultados no so certamente positivos. De um lado esta postura pode gerar reaes 
radicais (no estariam as mesmas em curso?) e por outro lado ela  sempre mal sucedida, 
deixando resduos e seqelas, como  o caso das doenas psicossomticas.Estados 
emocionais intensos e prolongados que no encontram expresso adequada causam 
alterao na fisiologia normal do organismo. Estas alteraes provocam doenas tais como 
lcera pptica, asma brnquica, alta presso sangnea, lceras do clon, artrite e outras. A 
estas doenas, cuja origem  psquica, damos o nome de doenas psicossomticas.
Emoo e Desempenho
As emoes melhoram ou pioram o desempenho de determinada tarefa? Depende bastante 
da natureza da tarefa, mas em geral a relao entre excitao emocional e desempenho  
representada por uma curva em U invertida. Em outras palavras, estamos afirmando que a 
excitao emocional, at um determinado grau melhora o desempenho (um pouco de 
ansiedade pode ajudar num exame), alm desse grau prejudica o desempenho, interferindo 
no funcionamento normal das faculdades intelectuais e motoras (muita ansiedade prejudica 
o desempenho no exame). Uma determinada dose de excitao emocional, ajuda a tornar a 
tarefa mais significativa e interessante. Do contrrio as tarefas perdem o interesse e caem 
na rotina.
Detector de Mentiras
O detector de mentiras, inventado por Leonard Kelier, em 1920, baseia-se no registro de 
reaes fisiolgicas autnomas  situaes provocadoras de emoes. Enquanto algum 
interroga o sujeito que  suspeito de um crime, suas reaes fisiolgicas so registradas 
atravs de instrumentos especiais. As perguntas que so cuidadosamente preparadas servem 
de estmulo que supostamente devem provocar as reaes emocionais no examinando. H 
dois tipos de perguntas: crticas e neutras. As perguntas neutras so as que no devem 
despertar emocionalmente o sujeito e, portanto, servem apenas como ponto de referncia 
afim de que se possa comparar essas reaes com as reaes s perguntas crticas. As 
perguntas crticas so as que, por estarem ligadas ao crime de que o sujeito  suspeito, 
despertam-no emocionalmente. Terminado o interrogatrio e registradas todas as emoes, 
o operador tenta decidir se o sujeito  ou no culpado, comparando as reaes do indivduo 
s perguntas neutras e crticas.
As respostas autnomas registradas pelo detector de mentiras, tambm conhecido com o 
nome de polgrafo, so o ritmo de respirao, o ritmo cardaco, a presso sangnea, a 
temperatura da pele e a RGP (resposta galvnica da pele).
O instrumento no apresenta segurana total, uma vez que h criminosos que no sentem 
ansiedade e culpa em relao aos crimes.
